Arquivo do mês: maio 2013

A DOUTRINA ESPÍRITA TRATA DA HOMOSSEXUALIDADE?

Por Maria das Graças Cabral
 
 
A Doutrina Espírita trata da Homossexualidade? Esta foi a indagação feita por um amigo e a razão do desenvolvimento do presente artigo. Para alcançarmos a resposta do questionamento que foi lançado como tema, iniciarei fazendo uma breve digressão histórica da homossexualidade no tempo e no espaço. Isto porque, observa-se pelos relatos históricos, que desde os tempos mais remotos se dá notícia da prática homossexual, utilizada como ritual de transição em um determinado momento da vida do ente tribal.
 
Na Grécia antiga por exemplo, considerando que as mulheres não ocupavam nenhum papel relevante nesta sociedade, a não ser as cortesãs que se relacionavam de igual para igual com os homens, não tinham elas nenhuma base para educar os filhos do sexo masculino. Daí, quando a criança entrava na adolescência, ditava o costume, que a família do adolescente elegesse um homem mais velho, ao qual era delegada a missão de educá-lo. Em razão desta relação de um educador (Erastes) e um educando (Erômenos), é que se deu surgimento à pederastia, que acabou por se difundir pelas demais ilhas gregas.

Importante ressaltar, que a referida relação entre um jovem e um homem mais velho era abertamente aceita, o que não acontecia com as relações entre homens da mesma idade. Para os gregos, a postura passiva era própria das mulheres, jovens e escravos, pela sua condição inferior na escala social.

  
Já no Império Romano, a relação entre um romano e um jovem livre não era bem aceita, ainda que popular, sendo punida com multa. Contudo, o amor de um romano e um escravo não sofria nenhum tipo de restrição.
 
 Também existia em Roma, a repulsa com relação ao homem romano que adotava a condição de passivo numa relação homossexual, mantendo-se a mesma concepção dos gregos à respeito da passividade, por ser condição própria das mulheres, jovens e escravos. Entretanto tal desaprovação não era absoluta, pois no primeiro século, os historiadores dão notícias de matrimônios entre homens, já que o casamento na sociedade romana, era um contrato de caráter privado.
 
 Foi Teodósio I quem proclamou uma lei proibindo permanentemente todas as relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, tendo como punição a morte. Essa condenação permaneceria na legislação de Justiniano I que, passou a punir a homossexualidade com a fogueira e a castração, alegando ele que a prática homossexual não era um ato aceito por Deus.  
 
 Na Índia, que em razão dos deuses serem afetiva e sexualmente bissexuais, para os indianos, o sexo não era visto somente para procriação, mas para a obtenção de prazer e poder. De tal forma, a relação homossexual era aceita, já que a busca do prazer estava ligada ao misticismo. Entendiam os indianos, que através do orgasmo seria possível compreender os enigmas de seus deuses. 
 
 Na China, a homossexualidade era influenciada por seus imperadores, que tinham os seus “favoritos”, gerando uma grande disputa na corte, pois o favorito do imperador tinha riqueza e prestígio. O mesmo ocorria no Japão, que por seu turno, não tinha uma visão pecaminosa das relações homossexuais. 
 
 Foi com o surgimento do “cristianismo”, que passou a haver a condenação de toda e qualquer forma de atividade sexual estéril, ou seja, que não fosse com a finalidade de procriar, estando a homossexualidade por conseguinte, inserida neste contexto. 
 
 No Brasil Colonial e escravagista, semelhante ao período clássico, encontra-se esse tipo de comportamento, principalmente com relação a senhores/escravos. É fato, que sempre em que há submissão de uma categoria por outra através da força, esse tipo de abuso acontece. 
 
 Observa-se portanto, que as diferenças nos direitos relativos à homossexualidade, sempre estiveram presentes ao longo da história das civilizações humanas, persistindo até os tempos atuais. Isto porque, hodiernamente ainda existem países que criminalizam a homossexualidade com a pena de morte, tais como, a Arábia Saudita, a Mauritânia ou o Iêmen, e outros que já legalizaram o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, como Países Baixos, Espanha ou Canadá. 
 
 Já as principais organizações mundiais de saúde, incluindo muitas de psicologia, não mais consideram a homossexualidade uma doença, disturbio ou perversão. Desde 1973, a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria. Em 1975 a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento, deixando de considerar a homossexualidade como doença.
  
 No dia 17 de maio de 1990 a Assembléia-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação Internacional de Doenças (CID). Por fim, em 1991, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos  direitos humanos.
  
 E assim, ao longo da história da humanidade, os aspectos individuais da homossexualidade foram tolerados ou condenados, de acordo com as normas sexuais vigentes nas diversas culturas e épocas em que ocorreram. Ou seja, observa-se que a aceitação do comportamento homossexual nunca foi unanimidade em nenhuma sociedade, e em tempo algum.

Hodiernamente, observamos os homossexuais lutando mundo afora, na busca da aplicabilidade dos direitos humanos, pelo direito ao casamento civil e religioso, pelo direito à adoção de filhos. Isto porque, os conflitos e divergências continuam existindo no âmbito religioso, jurídico, e social.

 
  E a Doutrina Espírita? Trata objetivamente da homossexualidade, aprovando ou condenando tal prática? À esse respeito é importante ressaltar, que o Espiritismo não julga comportamentos nem escolhas. A Doutrina Espírita veio “revelar” ao Espírito humano, imortal e perfectível, através das Obras Básicas, os ensinamentos libertadores, que estudados e vivenciados, conduzirão a humanidade a melhores caminhos na senda da evolução.
 
 No tocante à questão de opção sexual, importante se faz nos reportarmos aos ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec indaga aos Espíritos da Codificação na questão 200, se os Espíritos têm sexo. Os Mestres Espirituais respondem: – “Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos.” Pode-se inferir pela resposta dada, que os Espíritos quando no plano espiritual, são atraídos apenas por afinidades e sentimentos, posto que, a atração sexual que leva à conjunção carnal é própria do corpo material com seu aparelho genésico.
 

Em seguida, na questão 201, é perguntado se o Espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher numa nova existência, e vice-versa. E a resposta é que “sim, pois são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres.” Constata-se diante das palavras dos Espíritos Superiores, que o Espírito não tem sexo.

 
Por fim, indaga Kardec na questão 202, se quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher. Respondem os Espírito Superiores que “isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer.” Ou seja, a escolha do sexo condiz às possibilidades de aprendizado e evolução do Espírito reencarnante.
 
Face às indagações e respostas dadas pela Espiritualidade maior, Kardec arremata dizendo que “os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais, e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens.”
 
Pode-se concluir, diante dos esclarecimentos dados pelos Mestres Espirituais, que a questão do Espírito optar por reencarnar como homem ou mulher, tem um propósito definido no processo evolutivo do indivíduo.
Quando iniciei o presente texto fazendo uma breve narrativa histórica da homossexualidade através do tempo e do espaço, objetivava demonstrar que são os homens e mulheres, através dos tempos, que vão dando os “tons” da sociedade na qual escolheram viver. São os preconceitos, crenças, interesses; como também, os desequilíbrios comportamentais e emocionais, que geram os grandes conflitos e dores, que acabam por adoecer o organismo social.
 
É fato que a Doutrina Espírita não faz apologia, nem condena as opções sexuais dos indivíduos. Entretanto, estabelece parâmetros comportamentais equilibrados, tendo como paradigma a moral evangélica. Somos livres para escolher as “portas“ que iremos atravessar. Em contrapartida, somos também individualmente responsáveis, diante de Deus e de nós mesmos por estas escolhas.
 
 
Finalizando, vale reiterar que a Doutrina dos Espíritos através de sua mensagem libertadora e consoladora, vem nos colocar na condição de Espíritos emancipados e responsáveis pela construção de nosso estado de felicidade ou infelicidade, nesta vida e na outra. A responsabilidade do Espírito é pessoal. Portanto, cada um responderá pelos seus pensamentos, sentimentos e atos – e pelo que causou a si mesmo, e às outras criaturas, de bem ou de mal. O alicerce sobre o qual se ergue a Doutrina Espírita, são princípios esclarecedores e libertadores, que levam o Espírito humano à busca do auto conhecimento, para que daí, trabalhe árdua e conscientemente por sua evolução moral e intelectual.
 
 
 
Entendamos portanto, que a homossexualidade é uma questão de foro íntimo de cada Espírito. Por conseguinte, com base na moral Espírita, ninguém tem a autoridade nem o direito de violentar a privacidade e/ou a integridade emocional e/ou moral de seu semelhante. Somos desrespeitosos e não caridosos, quando, agredimos, julgamos, criticamos, ridicularizamos, condenamos, ou discriminamos alguém em razão de sua opção sexual. Vale lembrar, que ainda estamos muito longe de alcançar a maturidade espiritual, que nos permitirá compreender com propriedade e profundidade a complexidade da alma humana.
Pense…
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Morte

 
A morte é o fim do capítulo, mas não do livro.
 
Swami Satyananda Saraswati
 
– discípulo de Sivananda
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O semeador de tâmaras

 
Num oásis escondido numa das mais longínquas paisagens do deserto, encontrava-se o velho Eliahu, de joelhos, perto de algumas palmeiras de tâmaras.
O seu vizinho Hakim, o endinheirado mercador, deteve-se no oásis para descansar os camelos e viu Eliahu a transpirar, enquanto cavava a areia.
Intrigado, cumprimentou o velho e lhe perguntou o que fazia.
Eliahu, sem abandonar a sua tarefa, respondeu que semeava tâmaras.
– Tâmaras! – repetiu o recém-chegado. E fechou os olhos como quem escuta a maior estupidez do mundo.
– Diz-me, amigo. Quantos anos tens?
– Não sei… Esqueci-me. Mas que importância tem isso?
– Amigo, as tamareiras demoram mais de cinquenta anos para crescer e só quando se transformam em palmeiras adultas estão em condições de dar frutos. Não te desejo mal, oxalá vivas até cento e um anos, mas tu sabes que dificilmente poderás colher o que semeias hoje.
– Olha, Hakim. Comi as tâmaras que outra pessoa semeou sem se preocupar se iria ou não comê-las. Eu semeio, hoje, para que outros possam comer, amanhã, as tâmaras que estou plantando…
– Deste-me uma grande lição! Deixa-me pagar-te por ela.
E, dizendo isto, o mercador Hakim pôs na mão do velho um saco de moedas.
– Agradeço-te as moedas, amigo. Como vês, o teu prognóstico é que eu não chegarei a colher o que semeei. Parece verdade e, no entanto, ainda não acabei de semear, e já colhi a gratidão de um amigo
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FREQUENCIA VIBRATÓRIA…

Que é freqüência vibratória?
O pensamento e a emoção produzem o que se conhece como vibração, e o seu teor reflete o que há em nossa alma, definindo a freqüência dessa vibração, desde a mais baixa até a mais elevada que a nossa condição possa gerar.
O escritor Francisco Carvalho, no livro Influências Energéticas Humanas, elabora uma escala imaginária que vai de zero a cem graus, com os seguintes valores: no grau zero teríamos o ódio, emoção de mais baixo teor vibratório; nos 10 graus os desejos de vingança; nos 20, a inveja, o ciúme; nos 30, o rancor, o azedume, os ressentimentos e assim por diante, até os neutros, nos 50 graus. Nos 70, já numa faixa positiva, teríamos a esperança; nos 80, a fé; nos 90, a oração e a alegria e, finalmente, nos 100, o amor, a mais forte vibração de teor positivo.
Ainda na escala de vibrações de baixo teor podemos acrescentar as inúmeras “curtições” de natureza inferior, como as mais diversas taras, a crueldade, a perversidade, os muitos tipos de perversão, as conversas voltadas às baixas paixões, os mais diversos vícios, etc.
Já, para elevar o teor vibratório, também podemos acrescentar os sentimentos nobres, as leituras e conversas voltadas para assuntos ligados à religiosidade, à fraternidade, ao amor puro; a alegria sã e a meditação em temas luminosos, enfim, tudo que possa abrir canais entre nós e as forças mais altas da vida.
 Quanto a mais informações sobre espíritos e mundo espiritual, há extensa bibliografia a respeito, particularmente pela psicografia de Chico Xavier.

 

 
 
 
Sempre que alguém te ofender, ou quando estiveres em presença,
 nas proximidades, ou mesmo apenas pensando na pessoa que te magoa
 ou com a qual antipatizas, faz o seguinte exercício:
“Respira fundo, buscando relaxar.
Procura encher o coração com amor e diga mentalmente:
“Quero que tu, Fulano, estejas em paz.
Quero que estejas bem, com saúde e prosperidade.
Que Deus te abençôe, e te faça feliz”.
Isto te fará infinito bem.
 
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O amor sempre fala mais alto

 
 
Ana nos pergunta: – Se você reencarna para ajudar outra pessoa a evoluir, mas esta não aproveita a oportunidade e você fracassa, terá você na próxima existência a mesma missão até conseguir sucesso?
Na questão 583 d´O Livro dos Espíritos, no mesmo capítulo em que é tratada a missão da paternidade, aprendemos que os pais não são considerados responsáveis pelo fracasso dos filhos quando fizeram tudo o que estava ao seu alcance para encaminhá-los na senda do bem.
É evidente que o amor sempre fala mais alto e é perfeitamente razoável admitir que aquele que ama voltará sempre a ajudar o ser que estima, ainda que não esteja a isso obrigado.
Na literatura espírita há relatos sobre dois casos de pessoas que vieram à Terra com tarefa específica de auxílio a determinada criatura – o caso Quinto Varro, que teve a permissão de ajudar seu filho Taciano, assunto central do romance “Ave, Cristo”, de Emmanuel, e o de Alcíone, que retornou especificamente para ajudar Pólux, uma história narrada no romance “Renúncia”, do mesmo autor.
Segundo o que aprendemos na Doutrina Espírita, as famílias costumam repetir no plano corpóreo as experiências vividas no passado, muitas vezes sob o mesmo título e outras sob títulos diferentes, o que implica dizer que uma mulher pode vir como mãe de uma mesma pessoa em sucessivas existências.
É o amor e a necessidade evolutiva que definem tais situações. E não é difícil entender que a repetição dessas experiências acaba fortalecendo os laços de família, dando origem assim ao que o Espiritismo chama de famílias espirituais.
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A QUESTÃO RELIGIOSA NO ESPIRITISMO

 

 
Atendendo à solicitação do coordenador do Espirit Book, Henrique Ventura Regis, pretendo expor aqui, de modo sintético e amparado no pensamento de Allan Kardec, o que penso sobre a chamada questão religiosa no movimento espírita.

 

 

 

 

 

Afinal, o Espiritismo é ou não é religião? Tema complexo, apaixonante, tão antigo quanto o Espiritismo, tornou-se recorrente e motivo de discórdia, de cisão e de posturas sectárias. Tanto que, nos anos 1980, o movimento espírita se viu dividido entre duas posições antagônicas, a dos espíritas religiosos e a dos não-religiosos. Ruptura semelhante à que ocorreu entre os espíritas místicos e os espíritas científicos, no Brasil do século 19. Essa divisão ainda prossegue, sem que possamos vislumbrar algum tipo de consenso.

 

 

 

 

 

Todavia, ninguém melhor do que o fundador do Espiritismo para defini-lo. E ele o fez diversas vezes, em vários momentos de sua obra. Apesar da evidente vinculação doutrinária ao cristianismo, Allan Kardec rechaçou de modo veemente o suposto caráter religioso do Espiritismo e condenou o uso da palavra religião para classifica-lo, devido ao seu duplo sentido: de laço e de culto.

 

 

 

Quem primeiro levantou esse tema foi o Abade Chesnel, ao considerar que havia “uma nova religião em Paris”, que deveria ser combatida e reprimida. Através da Revista Espírita, Kardec rebateu a tese do Abade, também expondo-a de forma didática em O Que é o Espiritismo, no debate com o Padre.

 

 

 

 

 

Allan Kardec insistiu em definir o Espiritismo como uma ciência de observação, de consequências morais, como qualquer ciência ou forma de conhecimento. A seguir, iremos transcrever de suas obras uma série de pensamentos do Druida de Lyon, a fim de observarmos que ele não vacilou nessa questão e sempre procurou deixar claro, de modo bem didático, o que pensava a respeito do caráter e da natureza da doutrina espírita.

 

 

 

 

 

O Que é o Espiritismo
 

 

 

 

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos e de suas relações com o mundo corporal.” (p. 44)
 

 

“O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência e não se ocupa das questões dogmáticas. Essa ciência tem consequências morais, como todas as ciências filosóficas.” (p. 102)
 

 

“O seu verdadeiro caráter é, portanto, o de uma ciência e não o de uma religião.” (p. 103)
 

 

“O Espiritismo conta entre os seus partidários homens de todas as crenças, que nem por isso renunciam às suas convicções: católicos fervorosos, protestantes, judeus, muçulmanos, e até budistas e hindus.” (p. 103)
 

 

“O Espiritismo não era mais que simples doutrina filosófica; foi a própria Igreja que o proclamou como nova religião.” (p. 100)
 

 

“Não somos ateus, porém não implica isso que sejamos protestantes.” (p. 104)
 

 

Só “existem duas coisas no Espiritismo: a parte experimental das manifestações e a doutrina filosófica.” (p. 95)
 

 

“Sem ser em si mesmo uma religião, o Espiritismo está ligado essencialmente às idéias religiosas.” (p. 116)
 

 

 

 

A Gênese

 

 

 

“É, pois, rigorosamente exato dizer que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação.” (p. 20)
 

 

“O Espiritismo é uma revelação (…) na acepção científica da palavra.” (p. 19)
 

 

“O Livro dos Espíritos, a primeira obra que levou o Espiritismo a ser considerado de um ponto de vista filosófico, pela dedução das consequências morais dos fatos.” (p. 40 – Nota de rodapé)
 

 

“As religiões hão sido sempre instrumentos de dominação.” (p. 17)
 

 

 

 

O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples

 

 

 

“Do ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões.” (p. 27)
 

 

“Homens de todas as castas, de todas as seitas, de todas as cores, sois todos irmãos.” (p. 39)
 

 

 

 

Há dezenas de outras afirmações de Allan Kardec que poderiam ser aqui citadas, mas não seriam suficientes para fechar a questão. Há fatores antropológicos, sociológicos, psicológicos e históricos a serem contemplados. Estudos recentes no campo da antropologia social demonstram o caráter religioso do Espiritismo brasileiro. O Espiritismo é uma religião, uma forma de culto, foi assim que ele se desenvolveu historicamente. Não há como negar.

 

 

 

Pensadores espíritas de grande envergadura, como Carlos Imbassahy e Herculano Pires, admitiram o caráter religioso do Espiritismo, como uma doutrina de tríplice aspecto (ciência, filosofia e religião), idéia semelhante ao “triângulo de forças espirituais” do espírito Emmanuel.

 

 

 

Apoiado na conceituação do filósofo francês Henri Bergson, Herculano desenvolveu uma interessante tese da religião como fator natural, dinâmica, a chamada religião natural, em uma conceituação próxima à do iluminista francês Rousseau e do pedagogo suíço Pestalozzi, mestre de Rivail.

 

 

 

Por sua vez, pensadores espíritas outros como David Grossvater, Jon Aizpúrua, Jaci Regis e Krishnamurti de Carvalho Dias, apoiados no humanismo kardequiano e no laicismo espírita, conduziram seu pensamento rumo a uma concepção laica, não-religiosa do Espiritismo. O segmento não-religioso é minoria, mas bastante expressivo, dinâmico, aberto ao debate e às novas idéias.

 

 

 

Na dúvida, ficamos com Allan Kardec. Como vimos, ele rechaçou a idéia de uma religião espírita. Rejeitou a palavra religião para definir o Espiritismo. Não há como negar esse fato.

 

 

 

Afinal, quem estará com a razão? Difícil dizer. O tempo dirá…

 

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Anita Borela e o caso do menino abortado

Já escrevi oportunamente que minha mãe – Anita Borela de Oliveira – desencarnou numa segunda-feira, seis dias antes do Dia das Mães de maio de 1950, o primeiro dia consagrado às Mães que passamos sem tê-la fisicamente ao nosso lado.
Como hoje é Dia das Mães, veio-me à mente, em homenagem a ela, relembrar dois episódios de sua vida que mostram muito bem como Anita Borela, no exercício de suas faculdades mediúnicas, atuava em favor dos necessitados.
Eis o primeiro:
Numa certa tarde, na entrega de roupas a famílias carentes, alguém chegou com uma linda jovem perturbada e agressiva que parecia faiscar ódio pelos olhos.
D. Menina, uma companheira dileta que estava junto de Anita, imediatamente lhe disse:
– Vá, Anita. Converse com o Espírito que perturba essa jovem e verá que tem o poder, concedido pelo Pai, de encaminhá-lo. É chegada a hora do seu testemunho.
Ela, com uma força que não possuía normalmente e com sua candura habitual, pegou a mão da jovem e lhe disse:
– Oh! Meu filho. Que buscas? Tens sede de amor e fome do perdão? Ah! Meu filhinho, Jesus te quer muito a seu lado. Liberta essa menina-moça de tua subjugação. O que ganhas com isso? Sabe, meu querido, só o amor nos liberta a alma. Queres a liberdade? Pois entrega-te a ela retirando-te já daí.
O Espírito, comovido por forte emanação magnética, se libertou, deixando a jovem em estado normal e livre da constrição que a perturbava. D. Menina e Anita ministraram-lhe passes e, medicada e alimentada, coisa que não fazia há dias, pôde voltar ao lar, liberta da influência negativa do Espírito.
Aqui está o segundo episódio:
Certo dia, quando lidava com os afazeres domésticos, bateu-lhe à porta um empregado de uma fazenda próxima, a mando do patrão. Anita ouviu atentamente o fato narrado e, em seguida, saiu em desabalada carreira junto com o rapaz, que viera em uma charrete até a sua casa. Pelo caminho ela foi meditando e, na virada da Reta – uma das ruas da cidade de Astolfo Dutra –, avistou Diogo, um companheiro de lides espíritas que seguia em sua direção, para ajudá-la.
Logo que chegaram ao destino, depararam um quadro triste de possessão. Mulher fina, de tratos nobres, Emília, esposa do fazendeiro, arrastava-se pelo chão como um animal selvagem. Já havia destruído tudo à sua volta e por pouco não assassinara o próprio filho. 
Diogo e Anita, sem perda de tempo, oraram fervorosamente a Jesus e, com força e amor, envolvida pelo Espírito de Abel Gomes, Anita iniciou a doutrinação reparadora: 
– Levanta-te daí, meu irmão infeliz. Liberta essa criatura de tuas garras e envergonha-te de tal papel.
Embora tentasse avançar sobre ela, o Espírito não conseguiu tal intento, pois se prostrou ao chão pela força do magnetismo de Abel. O esclarecimento prosseguiu:
– Vamos, meu irmão! Fala como ser humano que és, tu não és bicho.
Um choro de dor ecoou pela sala e, afogado pela revolta, o Espírito relatou o ódio que sentia pelo fato de ter sido abortado na juventude por Emília:
– Por que eu? Por que eu, se agora ela traz no colo um filhinho amado? Eu a amava, queria estar em seus braços maternais.
Anita aproximou-se dele e falou-lhe com amor de mãe:
– Ah! meu filhinho. Não chores assim, um erro não justifica o outro. Tu és vítima, não queiras tornar-te o algoz. Quanto tempo de abandono, de sofrimento e jamais te lembraste de pedir alívio a Maria de Nazaré. Ela com certeza te abrigaria nos braços e te daria o amor que te hão negado. Precisas de ajuda, mas não para sofrer e sim para ser feliz. Se fosse permitido pelo Pai Celestial, eu te receberia como meu filhinho querido, mas só posso te oferecer o meu amor espiritual e te confortar com preces, mas olha em volta e verás quantas mãezinhas que deixaram seus filhinhos na Terra te querem adotar. Esquece a Emília. Deus com ela acertará as penas do seu gesto. Quanto a ti, busca a paz em mãos amigas. Deixa a Emília cuidar do filhinho que Deus lhe deu, pois ela o faz pensando em ti.
Envolvido por Espíritos de aspecto feminino, o Espírito abandonou então a mulher e seguiu em paz.
Anos depois, Diogo pressentiu, em uma de suas peregrinações costumeiras, a reencarnação daquele Espírito na fazenda de Emília e viu que ela, sem que ninguém soubesse explicar o fato, tomou-se de amores pelo menino fazendo dele um filho do coração e adotando-o mais tarde, em face da desencarnação precoce da mãe.
 
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A Fila Indiana

 
Os homens caminham sobre a Terra em fila indiana,
cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.
 
Na sacola da frente nós colocamos as nossas qualidades.
Na sacola de trás guardamos os nossos defeitos.
 
Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos, presas em nosso peito.
 
Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente, às costas do companheiro que está adiante, todos os defeitos que ele possui.
 
E nos julgamos melhores que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de nós está pensando a mesma coisa a nosso respeito.
 
Mude, ainda dá tempo…
 
E não esqueça: sorria!

Gilberto de Nucci

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Um dia será regra…

 
HONESTIDADE : ELOGIO AO CORREDOR QUE SE NEGOU A VENCER O LÍDER, QUE PAROU POR ENGANO! 
 
O atleta espanhol Ivan Fernández Anaya, de 24 anos, não venceu a prova de cross country de Burlada, Navarra, no último dia 2, mas até hoje não para de ser cumprimentado, elogiado, aclamado pela sua atitude de honestidade durante o evento. 
 
O atleta queniano, Abel Mutai, medalha de ouro nos 3.000 m com obstáculos em Londres, estava prestes a ganhar a corrida. Mas parou no local errado, pensando ter alcançado a linha de chegada. Ivan Fernández Anaya, na segunda posição, aproximou-se e, em vez de o ultrapassar, alertou-o para o equívoco e conduziu-o para confirmar sua vitória. 
 
Noutras palavras Ivan negou-se a conquistar a prova. Ele estava a 10 metros da linha de chegada e não quis aproveitar a oportunidade para acelerar e vencer. Gesticulando, para que o queniano compreendesse a situação e quase empurrando-o levou-o até o fim, Ivan Fernandez deixou o colega vencer a prova como iria acontecer se ele não se tivesse enganado sobre o percurso. Ivan, que é considerado um atleta de muito futuro (campeão da Espanha nos 5.000 metros, na categoria há dois anos) ao terminar a prova, disse: “Ainda que me tivessem dito que ganharia uma vaga na Selecção Espanhola para disputar o Campeonato da Europa, eu não me teria aproveitado da situação . Acho que é melhor o que eu fiz do que se tivesse vencido nessas circunstâncias
 
E isso é muito importante, porque hoje em dia, tal como estão as coisas na sociedade, no futebol, na política, onde parece que vale tudo, um gesto de honestidade fica muito bem. “
 
 Muitos dias depois do ocorrido, a história continua a ser exaltada nos noticiários e nas redes sociais. No passado Sábado, no seu blog, Fernández comentou a repercussão de sua atitude, que continua a ser elogiada duas semanas depois. “Hoje está sendo um dia especial para mim – ou melhor, muito especial- não podia imaginar que o meu gesto com Mutai chegaria aonde chegou. Estou numa autêntica nuvem, são muitos os comentários, entrevistas, reportagens sobre o sucedido. Quero agradecer a todos o que fizeram por mim”, escreveu. 
 
O QUE CHAMOU A ATENÇÃO DE TODOS FOI ALGO QUE DEVERIA SER BÁSICO NO SER HUMANO, MAS TEM SIDO A EXCEPÇÃO: A HONESTIDADE. “EU NÃO MERECIA GANHAR. FIZ O QUE TINHA DE FAZER”, AFIRMOU FERNÁNDEZ EM DECLARAÇÕES REPRODUZIDAS PELO JORNAL ‘EL PAÍS’, DA ESPANHA.
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A vacina contra a penúria é o trabalho

Por que o Espiritismo não atua junto à política humana para solucionar os problemas dos menos favorecidos? Esta foi uma das perguntas dirigidas ao médium Francisco Cândido Xavier na célebre entrevista por ele concedida no programa Pinga Fogo com Chico Xavier, em 28 de julho de 1971, pela Rede Tupi de Televisão.
A resposta do saudoso médium foi um modelo de concisão. O Espiritismo jamais pregou o conformismo. Não é essa a consequência de se crer no planejamento das existências, um dos ingredientes que compõem o processo da reencarnação.
Chico Xavier explicou que as leis são magnânimas e que a causa das desigualdades e das injustiças é, antes, decorrência da imperfeição dos homens ávidos de poderes e riquezas, que edificam sobre a miséria alheia seus castelos de areia, tão frágeis e tão transitórios como o próprio corpo carnal. “A vacina contra a ignorância – enfatizou o médium – é a instrução, e a vacina contra a penúria é o trabalho.” A reforma do organismo social não virá por decreto, mas será o resultado de uma profunda modificação do ser humano através da educação.
Corria, como foi dito, o ano de 1971. Vinte anos depois, em setembro de 1991, a Lituânia, a Estônia e a Letônia se aproveitaram do momento pelo qual a União Soviética passava e declararam sua independência; esses países haviam sido anexados após a Segunda Guerra Mundial. Em 1º de dezembro, a Ucrânia proclamou sua independência por meio de um plebiscito que contou com o apoio de 90% da população. Uma semana depois, os presidentes das repúblicas da Rússia, Ucrânia e Bielo-Rússia criaram, na cidade de Brest (Bielo-Rússia), a Comunidade de Estados Independentes (CEI), decretando o fim da União Soviética. No dia 21 de dezembro, 11 das 15 repúblicas soviéticas, em Alma Ata, capital do Casaquistão, endossaram a CEI e, com isso, a extinção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Gorbachev governou sem apoio durante mais quatro dias e, em 25 de dezembro de 1991, renunciou e declarou que a União Soviética deixaria de existir oficialmente em 31 de dezembro de 1991. Ruía, então, sem que nenhuma guerra o obrigasse, o chamado paraíso comunista, uma prova concreta de que paraíso se constrói, não se decreta.
 
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É preciso compreender que as religiões conhecidas focalizam de maneira diferente a finalidade da vida na Terra. Ora, se se entender que o homem está destinado a uma obra duradoura, que é seu aprimoramento moral e intelectual, como nos ensina o Espiritismo, forçoso concluir que outra deve ser a motivação dos atos de nossa vida.
Ao invés de lutar por aumentar o saldo da poupança, o indivíduo buscará ampliar seus conhecimentos…
Em vez de sonhar com a mansão luxuosa, a criatura tentará edificar uma vida moral sadia que colabore com o bem-estar não apenas de sua família, mas também de seus semelhantes…
Ao invés de dissipar suas forças nos vícios e nos excessos de vária ordem, o homem tudo fará por equilibrar mente e corpo, aproveitando cada minuto da existência para atingir o objetivo que o trouxe ao cenário do mundo…
Admita ou não o leitor, tais seriam as consequências da mudança do pensamento humano acerca do mundo e da vida, porque – se acreditássemos nisso – todos nós poderíamos compreender o que Jesus quis dizer com estas palavras: “Não ajunteis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os corroem, onde os ladrões os desenterram e roubam; mas formai tesouros no céu, onde nem a ferrugem nem os vermes os corroem; porque onde está vosso tesouro aí também está o vosso coração. Procurai, pois, primeiramente o reino de Deus e sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”. (Evangelho segundo Mateus, 6:19 a 34.)
Nesse sentido é o ensinamento espírita. A existência terrena é transitória. A felicidade que sonhamos não é uma construção exterior, mas uma obra interna, intimista, que produz mudanças em nosso campo mental e modifica nossa conduta perante o mundo.
O cristão autêntico recebe as injunções e as vicissitudes da vida com superior resignação e compreende que, seja qual for seu quinhão na presente existência, ser-lhe-ão tomadas contas severas, na exata proporção dos talentos recebidos, como o evangelista Mateus registrou na conhecida Parábola dos Talentos.
Não há motivos por que nos revoltarmos contra o quinhão do vizinho. A parte que recebemos é precisamente aquela que solicitamos e de que carecemos para a experiência deste momento. Sendo fiéis no pouco, é certo que teremos outras oportunidades em futuras existências.
Este entendimento nada tem que ver com conformismo nocivo ou esdrúxulo, mas significa tão-somente a compreensão legítima dos mecanismos da vida, a mesma que nos leva a aceitar, sem queixa, a perda de um filho, a enfermidade pertinaz ou os insucessos nos negócios.
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