Arquivo do mês: julho 2013

RECADO DA MORTE

 
Bom dia, ser vivente! Que seja, este, para ti, um bom dia!

Tranquiliza-te! Por enquanto, passo, apenas, dirigindo-me a outro endereço. Não é hoje, para ti, o dia da minha visita – o que não deve te iludir a respeito da única verdade que, no lugar e espaço onde te encontras, é inevitável: algum momento eu virei!

Não sabes quando e onde eu virei; melhor que não o saibas! Tens muito o que fazer durante o teu tempo de estadia por aqui. No entanto, eu sei! Conheço-te, melhor do que tu mesmo – e bem sei a hora, dia, mes e ano da tua despedida!

Mas não te direi… Porque de nenhuma utilidade se mostra esta revelação, para o usufruto bem sucedido da tua rápida permanência neste mundo! Todavia, permite-me, nesta breve passagem por este teu endereço transitório, alertar-te a respeito de algumas realidades importantes que, convenientemente, esqueces – de modo que a forma como te comportas sobre elas pode vir a te complicar ou te ajudar, no dia da minha visita!

Lembra-te: nada és, da forma definitiva como supões, como criança necessitada de alegrar o próprio ego! Teu passeio por este mundo não é de duração indefinida – portanto, absolutamente nada a que se condiciona a tua permanência nesta breve jornada haverás de reter, ou de guardar numa bolsa de ouro, para carregares à tua próxima parada a título de cartão de visita!

Em absoluto, não te enganes acerca da absoluta inutilidade destes teus então valiosos pertences!
Não és, portanto, teus títulos universitários, honoríficos, políticos ou sociais! Não carregarás para tua próxima morada tuas residências suntuosas, lustrosas, decoradas com utensílios de luxo e de valor secular, adquidos em leilões ou joalherias, para tentativa de convencer quem quer que seja acerca da validade dos teus julgamentos de valor, tecidos convenientemente a respeito de vós próprios.

Nos lugares de onde venho, e pelos quais passo, deixando os que abandonam o mundo da matéria ilusória todos os dias, a casa nem sempre diz do dono; nem as vestes dizem daqueles a quem vestem! Aliás, bem comum que, em inúmeras vezes, funcionem as vestes e as casas como disfarces mal engendrados, porque, na vossa futura estadia, ser vivente, mais não serás do que pura e simplesmente isto: um ser vivente!

E o mero ser vivente não difere dos demais, senão que pela autenticidade de intenção, pela transperência do caráter, pela qualidade da atitude, do pensamento e do sentimento, que, naqueles lugares, não são disfarçáveis por debaixo dos brilhos ofuscantes das coisas que o vil metal proporciona! Tua instrução, pois, no teu futuro destino, de nada servirá, se quanto a ele não demonstrares valor em ações úteis em favor da tua e da vida de quem te cerca!

Não conseguirás te vestir como autoridade ou como príncipe, se tuas atitudes e pensamentos forem as de um miserável velhaco, perante a abundância de recursos da vida, que não te pertencem somente – mas a toda a composição do Universo, de modo, ser vivente, que te será útil, desde já, entender que, uma vez que não criaste nada, não és dono de nada, e que apenas usufruís, zelas, quando muito transformas e guardas contigo, por períodos de tempo, algumas poucas coisas!

No lugar eterno para onde hei de te levar, serás compelido a entender, de modo melhor ou pior conforme o tiveres antecipado enquanto ainda na Terra, que palavras também não são tua realidade, sem que reflitam exemplo! Nem atitudes, que visem somente o teu bem próprio, e nem artifícios de comportamento, encenados para iludir os tolos de molde a se impressionarem sempre com o espalhafato das cores fortes, características dos grandiosos, mas fugazes cenários materiais terrenos!

Bem mais impressionarás, no teu futuro destino, em demonstração de valor, ao cultivares com amor e verdade o arbusto de margaridas de um jardim esquecido, do que bajulando, com ares de subserviência, os expoentes transitórios do poder temporal, visando extrair vantagens próprias, como muitos de vós se adestraram em fazer, para bem se sairem na competitividade obscura dos interesses materiais mesquinhos, que vos oferecem excessos de conforto físico, mas aridez e vazio de alma!

Ser vivente! Aproveito minha passagem rápida, para advertir-te e prevenir-te, a fim de que, quando afinal tiveres, por força, que me acompanhar, não entres em agonia, devido a tua própria ilusão e cegueira: a luz de dentro há de irradiar, através tanto de mantos reais, quanto das vestes modestas do serviçal mais obscuro em atividade na tua época de transtornos e de aparências – desde que cultivada com a verdade maior de todas as eras, e não com falácias alimentadas a respeito de ti próprio!

No teu caixão, ser vivente, não haverá gavetas! Os que te receberão, o farão com justiça, e em relação a alguém que chega tão despido de tudo quanto na época em que foste conduzido, frágil e em completo desamparo, para braços sobre os quais não detinhas certeza consciente de que bem o acolheriam ou protegeriam, ou não… Não levarás roupas de grife, carros do ano; holofotes, castelos, mansões ou cartões bancários; títulos de chefia, contas fartas do vil metal; nem cursos de idiomas, MBAs, doutorados e mestrados; e nem mesmo os seres que amais, de acordo com as tuas maiores afinidades ou interesses! Não serás, portanto, frente os que te receberão, mais nem menos segundo os teus orgulhosos parâmetros! Assim, a cada dia, faça por onde reajustar tua noção de realidade a respeito de ti próprio, e os teus pensamentos, atitudes, e sentimentos!

Porque, quando enfim te buscar, o conduzirei, com justeza, para o único lugar condizente com o que és: para as companhias e abrigos que tu mesmo elegeste, e auxiliaste a atrair, com as tuas maiores ou menores afinidades pela luz , ou pelas sombras enganadoras da Vida! A generosidade do teu próximo destino será, assim, ser vivente, o espelho daquela com que consideraste a realidade não somente para aquilo que te serve – mas, principalmente, conforme o modo com que o enxergaste para todos os demais!

E isto diz respeito a se ver, de vontade própria, ou encarcerado e escravizado entre as paredes obscuras do egoísmo, ou ser desde sempre liberto, e herdar a abundância generosa da vida presente em todo o Universo criado pela magnanimidade de Deus!

Por Iohan

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Casamento homoafetivo

 
 
 

O espírita deve ser a favor ou contra o casamento homoafetivo? Diante de tantas polêmicas e protestos que têm surgido, o número de adeptos com este questionamento vem aumentando. O que pretendo, aqui, não é analisar se a homossexualidade fere ou não os princípios do Espiritismo – isso é tema para outro artigo e até mesmo para debates. A questão é o que se deve levar em consideração a fim de se tomar uma posição – contra ou a favor – em relação a oficialização jurídica do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Primeiramente, é preciso estar ciente de que a Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, coibi a discriminação de homossexuais. Para quem não sabe, a Carta Magna estabelece os direitos do cidadão, assim como limita a atuação dos governantes. A liberdade e a igualdade são direitos fundamentais reconhecidos expressamente pela Constituição Federal. Por outro lado, parece existir uma contradição na própria Constituição, pois o artigo 226, §3º afirma: “É reconhecida como entidade familiar a convivência duradoura, pública e contínua, de um homem e uma mulher, estabelecida com objetivo de constituição de família.” Para mim, que não sou especialista na área, isso parece descumprir os direitos à igualdade, à liberdade e a uma existência digna.

Mesmo com essa aparente contradição, em maio deste ano, o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF) – ministro Joaquim Barbosa – estabeleceu como norma que os cartórios não podem mais se recusar a celebrar casamentos homoafetivos, assim como determinou que sejam convertidas em casamento as uniões estáveis homoafetivas que já estavam registradas. Fica claro que em um Estado laico, como o Brasil, as leis não podem ser estabelecidas tendo como base crenças religiosas ou valores morais, estes últimos formados em grande parte pela Religião e costumes culturais.

Estando cientes de como está nossa situação jurídica, vamos refletir um pouco se podemos julgar o caráter ou o grau evolutivo de uma pessoa tendo como base uma orientação sexual, neste caso, hétero:

1 – Podemos dizer que o fato de alguém ser heterossexual significa que seja uma pessoa equilibrada e responsável, no campo do sexo e da afetividade?

2 – O fato de um casal ser heterossexual é garantia de harmonia familiar, de que não existe violência ou maus-tratos no lar?

3 – Em nosso planeta, a maioria quase que absoluta da população é heterossexual. Isso significa que não existem guerras, violência social, desigualdades e miséria?

4 – O fato de um casal ser heterossexual é garantia de que ele irá transmitir aos filhos valores como respeito, honestidade, trabalho, etc.?

5 – Nossa cultura, basicamente heterossexual, está isenta de machismo e vulgarização da mulher e do sexo?

6 – E, para finalizar (sem esgotar o assunto): O fato de um casal ser heterossexual é garantia de que seus filhos também serão heterossexuais?

Então, se não podemos julgar o caráter de alguém pelo simples fato de a pessoa ser heterossexual, o que nos leva a julgar o caráter (ou a evolução) de alguém pelo fato de ser homossexual? A resposta é simples: nossas crenças religiosas e preconceitos, afinal, quais são os parâmetros, fora do âmbito religioso, para definir o que é certo ou saudável se a própria Organização Mundial de Saúde retirou o homossexualismo da lista internacional de doenças?

Hoje, nossa sociedade está mais aberta para aceitar as diferenças, apesar de ainda termos muitos preconceitos. As novas gerações estão muito mais preparadas para conviver com os diferentes modelos familiares e religiosos. Evoluir significa maior livre-arbítrio, mais liberdade de escolha, mas como escolher se não tivermos opções?

Concluo que cada um tem o direito de ser a favor ou contra a união homossexual, conforme prega sua religião ou suas crenças pessoais, mas temos que considerar e reconhecer – legalmente – o direito que todos temos de constituir família, e se os parceiros forem do mesmo sexo, isso não deve representar uma barreira jurídica à oficialização do casamento. Não no Estado laico e democrático em que vivemos!

Fonte:http://www.rcespiritismo.com.br

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Há ou não fatalidade nos fatos da vida?

O tema fatalidade continua sendo uma incógnita para muitas pessoas, mesmo no seio dos espiritistas.
Afinal, há ou não há fatalidade nos acontecimentos da vida? Os fatos de nossa existência estão ou não previamente marcados?Ambas as perguntas foram objeto de explicações dadas com clareza na primeira obra de Allan Kardec, considerada por muitos como a mais importante do Espiritismo, ou seja, O Livro dos Espíritos.No tocante à fatalidade, dois aspectos devem ser considerados.Se a imaginarmos como sendo a decisão prévia e irrevogável dos sucessos da vida, a resposta é não. Essa decisão prévia – que as pessoas associam à palavra fatalidade – não existe.Com efeito, se tal fosse a ordem das coisas, os homens não passariam de máquinas, que, como sabemos, não têm vontade própria. De que lhes serviria a inteligência, desde que houvessem de estar invariavelmente presos, em todos os seus atos, à força do destino? Semelhante doutrina, se verdadeira, equivaleria à destruição de toda liberdade moral. Não haveria para o homem responsabilidade e, por conseguinte, mérito nem demérito naquilo que fizesse.Se, no entanto, entendermos a fatalidade como sendo um plano geral definido pela própria pessoa antes de reencarnar, uma resultante do gênero de vida que escolheu, como prova, expiação ou missão, aí então pode-se dizer que a fatalidade não é uma palavra vã, porquanto a pessoa sofrerá, no decurso da existência corporal, todas as vicissitudes que ela mesma escolheu e todas as tendências boas ou más que lhe são inerentes. Cessam, porém, aí os efeitos da fatalidade, como fruto da chamada programação reencarnatória, porque depende do indivíduo – e somente dele – ceder ou resistir às mencionadas tendências e influências. Quanto aos pormenores dos acontecimentos, ficam eles subordinados às circunstâncias que a própria pessoa cria por meio de seus atos.
Só para exemplificar: Se a pessoa opta pela via do crime, terá de sofrer todos os percalços decorrentes disso; se se entrega à bebida e se torna um alcoólatra, enfrentará os dissabores e as enfermidades decorrentes desse vício.Resumidamente, podemos então afirmar que há fatalidade, sim, nos acontecimentos que se apresentam, por serem estes consequência da escolha que o Espírito fez de sua existência como homem, mas pode deixar de haver fatalidade no resultado de tais acontecimentos, visto ser possível a ele, por sua prudência, modificar-lhes o curso. Jamais, contudo, haverá fatalidade nos atos da vida moral, ou seja, o crime, o suicídio, o abandono da prole, a traição, o adultério e tudo o que diz respeito à conduta da pessoa não têm nada que ver com a escolha feita por ela antes da imersão na carne.Finalizando, lembremos que, segundo o Espiritismo, fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é. Chegado esse momento, de uma forma ou doutra, a ele não podemos furtar-nos. É aí, pois, que o homem se acha submetido, em absoluto, à inexorável lei da fatalidade, uma vez que não pode escapar à sentença que lhe marca o termo da existência nem ao gênero de morte que haja de cortar a esta o fio. Os casos de moratória constituem, é fácil compreender, meras exceções a essa regra.
Fonte:http://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com.br/

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