Arquivo do mês: setembro 2013

A Presença da simplicidade

Há alguns anos, na ida a um hospital, viu aquela mãe vestida humildemente, prestes a dar à luz o sétimo filho. Na face, a imagem da fome, do sofrimento. Acompanhava um deles, acometido de leve enfermidade, comum em crianças, sobretudo naquelas às quais faltam o pão e a higiene.

Aproximou-se dela, a saber se possuía o enxoval para o nascituro. Após algumas palavras, entrou no assunto, com a indispensável discrição. A outra, compreendendo-a, respondeu-lhe:
– Qui nada! Num tenho cumo pensá nisso. Tô preocupada é cum os qui ficaro in casa pur conta da fia maió, qui é tamém piquena. Num sei o qui eles faiz e o qui tão cumeno…
Anotou-lhe o endereço e lhe pediu explicações de como lá chegar. Em poucos dias, lá foi ela, numa visita, a levar-lhe o enxoval para a criança, que breve nasceria: e uma sacola de alimentos, além de leite e pão.
O quadro era de muito sofrimento, penúria e carência: as crianças sujinhas, famintas e maltrapilhas; o marido enfermo, meio perturbado da mente, mas, ainda assim, a plantar o quintal, a lavar roupa; e sempre ali, junto à mulher, com carinho e humildade. Viviam em pequeno barracão. Difícil compreender como se abrigavam ali tantas almas!
O pai caíra de um andaime, machucara-se e fora abandonado à própria sorte por uma dessas construtoras que levantam espigões pela cidade. Ali era peça descartável e não um ser humano. Caiu? Machucou-se? Põe outro no lugar! Não importava ele, nem a sofrida família.
Convidou-os à oração – prontamente aceita e sempre solicitada, nas futuras visitas. Cadastrou-os como assistidos do Centro Espírita de que participava, repassando-lhes a sacola de alimentos Uma vez por mês ganhavam nova cesta de víveres, além de assistirem à evangelização, no próprio Centro Espírita.
Às vezes, em casa, lembrava-se daquela família. Reunia alguns alimentos, passava por uma padaria, a comprar leite e pães, e lá ia ela para atender ao chamado da intuição feminina. É claro que chegava na hora mais oportuna. Periodicamente, convidava amigos para doarem mantimentos, roupas e calçados, para lhes levar um presente extra, pois que eram muitas as bocas a alimentar.
Um dia, seu marido – que eventualmente a acompanhava –, ao ver a plantação de batata-doce, pensando no leite das crianças, indagou-lhes:
– Vocês fazem bom dinheiro, na época da colheita, hein? – A resposta foi surpreendente, generosa, demonstrando total desapego e até certa irresponsabilidade:
– Nada. Nóis num liga prá isso, não. Nóis dá tudo prus ôto.
E davam mesmo. Eles próprios, alguns meses após, tiveram que aceitar batatas. Sem falar nos cachos de bananas, nos chuchus, mandiocas, abacates e mamões.
O marido, vendo a carência ali existente, tentava recusar tais ofertas – quem sabe também pelo orgulho de quem ainda não sabe receber. Aprendeu a lição e conformou-se, admoestado pela própria esposa:
– Não faça isso! Não seja indelicado! Aceite-os e retribua de outra forma. Percebeu a espontaneidade e a alegria em dar o que plantam e colhem?
Nessas visitas lá chegavam em dias e horas diversos, sem aviso prévio. E nunca encontraram ali briga, rusga ou momentos de desentendimentos entre eles. Certa vez, ele indagou-lhes:
– Vocês não brigam? – Na resposta, uma lição de vida para todos nós:
– Seu minino, aqui in casa às vêis farta cumida, mas num farta amô, não! Quando num há o qui cumê, nóis vai nu quintá e arranca mandioca, cuzinha e come. Deus sempre dá um jeito. Mas nóis num briga, não sinhô, qui nóis se respeita muito!
*
Eis por que a Doutrina Espírita nos recomenda aproximarmo-nos dos sofredores. Não só para lhes doar o de que carecem, mas para deles receber lições que não se aprendem no colégio, a nos educar o coração, o sentimento.
Eles, que ali levavam o pão material, recolhiam exemplos de resignação, de humildade, de carinho, de um casal extremamente pobre, mas amoroso e desprendido.
Sentiam ali a presença do amor!
E pensar que em tanta casa onde sobra o pão faltam a harmonia, a paz, o amor, o respeito recíproco, além da confiança em Deus!
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O brilho dos jovens olhos

       Um largo sorriso se abriu no rosto daquele homem extremamente sério, com tanta responsabilidade profissional. Viu seu filho que o esperava, no fim da tarde, no pátio do colégio.
       Este momento quando os olhos comuns se encontram com o olhar da criança, não há o que fazer, aquele olhar se rende, inteiramente, aos olhos brilhosos, cheios de luz, de esperança, de vida longa.
       Vieram, pai e filho, conversando durante o itinerário para casa. O filho contava as peripécias infantis com tanta graça, tanto entusiasmo. Universo simples e repleto dos coloridos desenhos das historinhas vivenciadas.
       O vocabulário era reduzido, mas os gestos da alegria de viver, tão magníficos. O pai até esquecera que gerenciava uma grande companhia. Voltou, naquele momento, a se encantar pela vida. Esse fenômeno ocorria quando os olhos paternos encontravam os filiais.
     Aquelas palavras tinham a liberdade pela qual o espírito almeja. Sensação de ser de todos, mas sem ser ninguém; compromisso de viver com responsabilidade de cumprir a meta do crescimento acompanhada da felicidade.
      Quando se dá a mão a uma criança, recebe-se a energia da vida nova; recomeço de tudo. Seus olhos inundam a vontade de os outros mais quererem conhecer; espontaneidade traz a relembrança de que a pureza da vida fundamenta toda a sua razão.
     Criança, ser tão belo e cativante. Sua presença anima o fraco; restaura o desequilibrado; instaura novos sonhos para comporem a realidade; relembra aos adultos que o arco-íris ainda está no céu e possui sete cores; mostra, muitas vezes, que o pouco é o bastante, que o abraço carinhoso afaga o espírito; ela ainda ensina, com sua singeleza, que as coisas essenciais da vida são simples, estão próximas e são possíveis.
       Assim é a criança.
       E o pai, quando perto do filho, encantava-se com as estrelas, com os animais, com a natureza, com o sorriso do amanhecer e com o aconchego da vida. E até se lembrava de agradecer a Deus:
        – Obrigado, Senhor!
(Cínthia Cortegoso)
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Reflexões e ensinamentos

A vida precisa ser renovada. A morte é a mudança que estabelece a renovação. Quando alguém parte, muitas coisas se modificam na estrutura dos que ficam e, sendo uma lei natural, ela é sempre um bem, muito embora as pessoas não queiram aceitar isso. Nada é mais inútil e machuca mais do que a revolta. Lembre-se de que nós não temos nenhum poder sobre a vida ou a morte. Ela é irremediável.
O inconformismo, a lamentação, a evocação reiterada de quem se foi, a tristeza e a dor podem alcançar a alma de quem partiu e dificultar-lhe a adaptação na nova vida. Ele também sente a sensação da perda, a necessidade de seguir adiante, mas não consegue devido aos pensamentos dos que ficaram, a sua tristeza e a sua dor.
Se ele não consegue vencer esse momento difícil, volta ao lar que deixou e fica ali, misturando as lágrimas, sem forças para seguir adiante, numa simbiose que aumenta a infelicidade de todos.
Pense nisso. Por mais que esteja sofrendo a separação, se alguém que você ama já partiu, libere-o agora. Recolha-se a um lugar tranquilo, visualize essa pessoa em sua frente, abrace-a, diga-lhe tudo que seu coração sente. Fale do quanto a ama e do bem que lhe deseja. Despeça-se dela com alegria, e quando recordá-la, veja-a feliz e refeita.
A morte não é o fim. A separação é temporária. Deixe-a seguir adiante e permita-se viver em paz.

“A morte é só uma mudança de estado.
Depois dela, passamos a viver em outra dimensão.”

Zíbia Gasparetto

Foto: A vida precisa ser renovada. A morte é a mudança que estabelece a renovação. Quando alguém parte, muitas coisas se modificam na estrutura dos que ficam e, sendo uma lei natural, ela é sempre um bem, muito embora as pessoas não queiram aceitar isso. Nada é mais inútil e machuca mais do que a revolta. Lembre-se de que nós não temos nenhum poder sobre a vida ou a morte. Ela é irremediável.
O inconformismo, a lamentação, a evocação reiterada de quem se foi, a tristeza e a dor podem alcançar a alma de quem partiu e dificultar-lhe a adaptação na nova vida. Ele também sente a sensação da perda, a necessidade de seguir adiante, mas não consegue devido aos pensamentos dos que ficaram, a sua tristeza e a sua dor.
Se ele não consegue vencer esse momento difícil, volta ao lar que deixou e fica ali, misturando as lágrimas, sem forças para seguir adiante, numa simbiose que aumenta a infelicidade de todos.
Pense nisso. Por mais que esteja sofrendo a separação, se alguém que você ama já partiu, libere-o agora. Recolha-se a um lugar tranquilo, visualize essa pessoa em sua frente, abrace-a, diga-lhe tudo que seu coração sente. Fale do quanto a ama e do bem que lhe deseja. Despeça-se dela com alegria, e quando recordá-la, veja-a feliz e refeita.
A morte não é o fim. A separação é temporária. Deixe-a seguir adiante e permita-se viver em paz.

"A morte é só uma mudança de estado.
Depois dela, passamos a viver em outra dimensão."

Zíbia Gasparetto
 
 
 
 
Se, por acaso, estás ferido pela saudade que decorre da ausência física de alguém amado que a morte arrebatou, enxuga o pranto do coração e sorri feliz ante a expectativa do reencontro que ocorrerá após a tua viagem de volta.

Não lamentes a perda, porque, vivo onde se encontra, tem conhecimento daquilo que ocorre contigo e poderá visitar-te, comungar das tuas emoções, dialogar pelos pensamentos e reencontrar-te na esfera dos sonhos, nos teus momentos de parcial desprendimento de repouso físico.

Honra-lhe a memória através de ações dignificantes em seu louvor e por meio de vibrações de afeto que lhe dirigirás.
Nascer, viver e morrer são termos da mesma equação biológica, e prosseguir vivendo é fatalidade da criação.

|Iluminação Interior – Divaldo Franco / Joanna de Ângelis|

 
 
 
 
Espíritos que se comportam indiferentes à fé religiosa, lamentavelmente, não possuem estrutura emocional para os grandes embates que a vida apresenta a todos no curso da existência. Normalmente quando essas ocorrências aparentemente negativas surgem, deixam-se arrastar pelo pessimismo, em razão da falta de hábito em CONFIAR e de lutar para conseguir as realizações em plano superior, ou desesperam-se, arrojando-se agressivamente contra, mais complicando a situação que os desafia.

São mais fáceis de tombar diante dos testemunhos, do que aqueles que aprenderam a confiar na proteção divina e vinculam-se a Deus através do pensamento, nEle haurindo vigor para continuar a batalha evolutiva.

A fé religiosa, mesmo quando ingênua, transforma-se em ponte de luz que permite aos crentes alcançar os píncaros da Espiritualidade, fruindo de paz e de esperança. Semeia luz na treva e grão de amor no solo dos corações.

|Libertação do Sofrimento – Divaldo Franco / Joanna de Ângelis|

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Uma campanha sobre a cruel industrialização da comida

A Chipotle fez de novo. Após um dos grandes comerciais do nosso tempo, “Back To The Start”, que rendeu inclusive GP de Film em Cannes Lions, a rede de restaurantes apresenta uma nova campanha.

A peça principal é um jogo para iOS chamado “The Scarecrow”download gratuito – que, repetindo o tema anterior, aborda a industrialização da comida, onde as pessoas financiam o abuso e crueldade de forma invisível. Você controla um espantalho em uma fábrica controlada por corvos, a Crow Foods.

Chipotle

Para acompanhar o aplicativo, uma incrível e tocante animação criada pela Moonbot – a mesma do Oscarizado “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore” – que começa em um cenário sombrio e sem esperanças para apresentar a solução sustentável e conceito trabalhado pela Chipotle.

Novamente, a trilha é destaque. Uma versão da música “Pure Imagination”, do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, feita pela Fiona Apple. Para quem não se lembra, em “Back To The Start” tivemos um cover “The Scientist” na voz de Willie Nelson, e repetindo a estratégia, a música estará a venda na iTunes Store, com parte da renda revertida para a Chipotle Cultivate Foundation.

Chipotle

Dá gosto de ver esse assunto ser finalmente abordado de forma ampla, ainda que cheio de eufemismo e sem a solução ideal. Mas já é um caminho para conscientizar as pessoas, estimulando que procurem marcas e produtos éticos.

Fonte: http://www.brainstorm9.com.br

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Pegadinha a favor da segurança

 

O medo é um dos sentimentos mais fortes para se passar uma mensagem. Alguns segmentos de mercado, como o das seguradoras, sabem como provocar esse sentimento. Mas o que a Ogilvy mexicana fez para a AMIS traz esse sentimento à tona com certo perigo.

Amis_Carro

Para divulgar os serviços da seguradora, foram feitos cartões personalizados para os carros das cidades mexicanas com maior índice de carros roubados. O elemento comum da imagem, que era deixada no para-brisa do carro, era um cara que estava supostamente dentro do veículo segurando uma placa escrita “você deveria proteger seu carro”. Veja a reação das pessoas ao encontrar o material.

Para acalmar os ânimos, vem o texto no verso: um ladrão precisa de apenas alguns segundos pra entrar no carro. Proteja-o. Esta imagem foi manipulada no Photoshop. Ninguém entrou no seu carro.

Fonte:http://blogcitario.blog.br

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Microondas no elevador

Continua surgindo ideias criativas envolvendo elevador. Depois de “tentativa de assassinato” e do susto publicitário, a Totino´s Pizza usou o local para divulgar seu copo de pizza preparada que envolveu as pessoas impactadas.

Microondas_Totinos

A agência Bromley deixou a cabine do elevador com cara de microondas e o visor, ao invés de mostrar os números dos andares, colocou uma contagem regressiva de sessenta segundos até chegar ao térreo, simbolizando o tempo que leva para a pizza ficar pronta.

Acho que vale para fixar a marca na mente do público, concorda?

Fonte:http://blogcitario.blog.br

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Realidade da LG em ultra HDTV

A LG tomou gosto em fazer pegadinhas com o público, jogar na internet e ganhar milhões de views. Pelo menos, as ações são muito boas para comunicar as vantagens dos seus televisores.

LG_HDTV

Seguindo a linha do que foi feito neste susto dentro do elevador, foi organizada uma sessão de entrevistas de emprego, onde o monitor de 84” fez o papel de “janela” da sala até surgir algo que faz os candidatos pularem da cadeira.

Confesso que me diverti com as reações dos candidatos, já que a cena certamente deve ter passado a impressão de que aquilo estava acontecendo de verdade. E você, acha que a ação valeu a pena?

Fonte:http://blogcitario.blog.br

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Refletir!

O câncer é um estereótipo, quase um clichê, assim como a vida. O ensaio publicado por Ângelo Merendino em homenagem à batalha que sua esposa travou diante de um câncer de mama é retratada em fotos contundentes, afetivas e impactantes, que tem como propósito a busca por um olhar menos preconceituoso e temeroso sobre quem vive esse diagnóstico.
Um olhar ingênuo diria que são fotos em cronologia, desde o início do relacionamento do casal até o início do tratamento quimioterápico culminando com a morte de Jennifer, sua esposa. Porém, esse ensaio é muito mais do que isso. O objetivo de Ângelo foi fazer com que as pessoas conhecessem mais sobre a doença, fizessem um exercício de empatia e, mais do que tudo, ele queria mostrar que o apoio e a vontade de viver do paciente é fundamental. Nas imagens podem-se perceber detalhes importantes. É marcante em muitas delas o olhar dos outros frente à esposa. Olhares de surpresa, de compadecimento, de incompreensão. As pessoas tem muita dificuldade em enxergar sua própria finitude diante de seus olhos. Somos uma sociedade embriagada de uma ilusão de imortalidade que só é rompida – quando o é – por situações como essa, por pessoas que decidem se expor e mostrar suas fragilidades para que as pessoas possam sensibilizar-se e pensar também sobre como vem vivendo suas próprias vidas e como elas próprias agiriam caso se vissem diante de um desafio como o que Ângelo e Jennifer enfrentaram.
Ouse olhar cuidadosamente para essas lindas imagens. Não porque a morte seja linda, porque sabemos que não é, mas porque a vida é linda, e precisamos constantemente lembrar que não é eterna, que não somos imbatíveis. Por vezes, a melhor forma de curar uma dor – como a de perder uma jovem esposa para uma doença ainda tão incompreensível como o câncer – pode ser torna-la concreta e palpável, mesmo que através de imagens, para digeri-la com menos sofrimento e para mostrar a outras pessoas que é preciso estar-se atento ao próprio corpo, atento à própria vida, para que não a percamos mesmo quando ainda temos saúde. Esse ensaio é o retrato de uma batalha de 5 longos anos.
Se valeram a pena? Ele afirma que não trocaria esses 5 anos que viveu com ela por nada no mundo.
 
 
 
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