Arquivo do mês: outubro 2014

OS DOCES FRUTOS DE UMA SÁBIA MACIEIRA

A macieira estava carregada de frutos, uns já maduros, bem vermelhinhos; outros ainda aguardando o amadurecimento natural. Os galhos se arquearam pelo peso das saborosas e nutritivas maçãs que alimentariam crianças, adultos e idosos do local tão humilde.

Era uma pequena comunidade somando cinco famílias, mas de gerações muito antigas, e a árvore frutífera era imagem registrada de todo o tempo da existência daquele grupo social. A muda da árvore fora trazida pelo primeiro homem a pisar o chão daquele lugar. O ancião já falecido se chamava Enzo Galante que deixara o sobrenome para a família.

E não havia um ano sequer em que a macieira não produzira frutos tão viçosos e doces. As famílias se reuniam para conversar sempre próximo da árvore de folhas miúdas e verdinhas.

Um certo dia, mais precisamente um domingo pela tarde, a pequena comunidade estava reunida como de costume. As crianças engatinhavam entre os galhos baixos; alguns adultos, com cuidado, colhiam uma fruta para comer e, de fato, eram momentos preciosos.

No entanto, quando alguns olhos mais experientes observaram a árvore puderam perceber que os galhos mais no interior do pé estavam ressequidos, sem vida. Então, muito surpresos, adultos e crianças se puseram a desvendar o enigma da ordem da macieira, que tão querida e respeitada era por todos.

Nos olhos infantis pairavam a triste ocasião e nos dos mais velhos, a surpresa desencantadora era a tônica.

“O que aconteceu com a árvore da maçã?” Essa era a pergunta intrigante repetida.

Os mais experientes examinaram o interior dos galhos; as mulheres, com olhar inconsolável, tentavam compreender o ocorrido; as crianças, tão rápido, buscaram água fresca do poço para animar a planta; no entanto, em vão. Não havia secura da terra, pois era sempre aguado, o pé de maçãs.

Logo veio a noitinha e junto o brilho das estrelas ao alto e, ao mesmo tempo, tão próximo; as estrelas acompanham todos os seres do Planeta e também o desencadeamento das situações da vida sob a grandeza do infinito.

E durante a noite, mais desalento recaiu sobre a tão antiga macieira que pela manhã já estava sem vida. Alguns frutos insistiam em permanecer, presos, aos galhos, porém, antes do meio-dia, tudo estava no chão, toda a árvore estava em repouso sobre a terra que tanto a sustentou.

A pequena comunidade rodeou a árvore desmantelada; os olhares eram de inexplicáveis perguntas sem respostas, não podiam acreditar. Lágrimas escorriam dos mais velhos e dos bem jovens. Como seriam os dias sem a macieira frondosa, companheira e mãe de tantos frutos ao longo de todo o tempo.

Depois de muito analisar, por meio de uma inspiração benfazeja, foi esclarecido a Marino Galante, filho mais velho de Enzo, e agora, orientador da singela comunidade, que para tudo há um tempo a ser cumprido.

Por isso tão encantadora é a alma que valoriza o momento presente e atua com alegria e agradecimento nas existências da vida, participando das histórias e amparando os companheiros de jornada, pois viver, no melhor sentido semântico, é tudo de maior para o espírito, essência da alma, energia eterna.

O valor das pessoas amadas; das simples e essenciais palavras e ações; de um dia primaveril; de mais uma vez estar com quem se ama; de abraçar quem tanto necessita; de sorrir por ver um sorriso de criança; de interpretar no céu o convite da eternidade; de passear pelos campos de tulipas e sentir o mar de flores acalmar o ser e trazer beleza aos olhos que, assim, os observa e aos corações que tanto amparo necessitam.

Com inspiração de luz amorosa, Marino pronunciou as seguintes palavras:

“Da mesma forma que o dia é necessário, também a noite o é, ambos possuem a duração essencial para a bela produtividade dos vegetais, dos animais, da cadeia vital como um todo. Tudo possui a duração exata, o tempo indispensável para o trabalho ser realizado; uns aproveitam mais que os outros. E a nossa macieira valeu-se com tanta sabedoria; produziu bons frutos por gerações; acalentou almas, pois quantos vieram desabafar suas dores às folhas, frutos e galhos da sua boa árvore; cativou crianças, adultos e idosos. Será lembrada com tanto carinho e gratidão. Obrigado, querida macieira, pela companhia e ternura de tantos anos. Descanse e volte para o universo, com sua energia tão benéfica e indispensável. Estaremos aqui, pois tudo a seu tempo. Sábios são os que aproveitam os dias com amor, trabalho e bondade. Obrigado, macieira.”

E após as palavras gratas e carinhosas, Marino iniciou a saudação de tocar os galhos e com alegria agradecer tanta dedicação da pequenina irmã. E a reduzida comunidade imitou a ação respeitosa e após isso cada um seguiu para seus afazeres e atividades.

A querida macieira reincorporaria ao extrato natural; todo corpo integra o corpo maior do universo, tudo volta ao que pertence, ao todo.

O mais importante será sempre o bom desempenho diante da programação para cada existência. E todo júbilo será sustentado pelo conjunto das boas escolhas, amor, entendimento e pela sabedoria de que tudo faz parte de um todo e toda ação repercute na vida.

A uns três metros do pé de maçã, que agora descansava, foi observada uma pequenina plantinha com as características de uma recém-nascida macieira feliz.

E muitos novos sorrisos surgiram naquele momento e continuariam em todo o tempo de vida da pequena plantinha de frutos tão doces e aconchegantes.

A vida é contínua… incomparável… grandiosa.

(Cínthia Cortegoso)

Fonte:http://contoecronica.wordpress.com/

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Mudar o mundo, a partir de si mesmo

É muito fácil percebermos que grande parte da nossa sociedade vive hoje numa espécie de loucura coletiva. Valores como compaixão, fraternidade, honestidade, cooperativismo, amor e união, que deveriam servir como base ética e moral, foram trocados, por muitos, por uma ambição descontrolada, pela sede insaciável de poder, prazer e fama, onde só os que estão em destaque merecem ser reconhecidos como pessoas de sucesso.

Não tenho nada contra o prazer, o poder, a riqueza… O que chamo atenção, aqui, é para o fato de que essas conquistas se tornaram fundamentais para que muitas pessoas consigam se sentir realizadas, felizes. Por que isso está acontecendo? Simples: porque ainda não conseguimos resolver nossas dificuldades internas (carências, medo, solidão, etc.) que carregamos há milênios. A cada encarnação revivemos determinados dramas morais, deixando gravado em nosso subconsciente traumas e dores, e para fugir do sofrimento buscamos várias formas de fuga, que acabam nublando nossa capacidade de enxergar e lidar com nossa realidade interna por trás das máscaras. De quem é a culpa? Nossa, é claro!

 

Por outro lado, todas as experiências na vida podem nos servir de aprendizado. Deste ponto de vista, não existe o certo e o errado. Tudo pode ser oportunidade para que nos tornemos mais sábios. Porém, como disse Jesus, segundo Mateus, 18:6-11: “É preciso que venha o escândalo, mas ai daquele por quem vem o escândalo”. Frase sábia, mas muito pouco compreendida pelas criaturas humanas que, apesar de possuírem uma capacidade ilimitada de transcendência, ainda são muito limitadas por sua própria realidade egocêntrica.

Se refletíssemos mais nas palavras atribuídas a grandes sábios, como Buda e Jesus, por exemplo, compreenderíamos a verdadeira necessidade da autotransformação, espargindo a luz do amor e o perfume da paz a cada passo da nossa jornada.

Mas essa transformação, que começa em nós, deve se refletir na sociedade como um todo. É muito fácil colocarmos um criminoso na prisão. Difícil é aceitarmos que, enquanto muitos buscam ansiosamente pelo supérfluo, outros morrem na miséria, sem ter o necessário. Para combater o crime, não basta a punição. É preciso educar as almas com mais amor.

Os pais não podem deixar seus filhos totalmente entregues às influências do meio. O diálogo e a vivência familiar de todas as noites devem existir sempre. Os professores instruem, mas a valorização da ética, do respeito e, principalmente, da vida, que afasta o jovem das drogas, são os pais que devem dar, pelo próprio exemplo.

E os espíritas? Muitos palestrantes espíritas não percebem a diferença entre divulgar e comunicar. Divulgar é informar, mas comunicar é entrar em contato profundo com o outro. Para comunicar é preciso o sentimento. E você? O que tem feito para mudar?

Fonte: http://www.rcespiritismo.com.br

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O que é possível mudar por meio da educação?

Poucos, talvez, são os que ignoram que a medicina e a psicologia sustentaram, durante décadas, a crença de que a personalidade das pessoas era imutável.

Descobertas recentes no campo da biologia e dos estudos da mente têm, no entanto, comprovado exatamente o contrário, ou seja, tanto o cérebro como a mente humana podem rearranjar-se de maneira drástica e as pessoas podem transformar-se em qualquer estágio da vida.

As pesquisas que vêm sendo divulgadas têm questionado até mesmo um dos dogmas da psicanálise segundo o qual os adultos carregam para sempre os traumas vividos na infância.

Martin Seligman, docente da Universidade da Pensilvânia, afirma, em sua obra intitulada “O que você pode mudar e o que não pode”, que é possível à criatura humana mudar a timidez, o mau-humor, o pessimismo, a depressão e quase todas as disfunções sexuais, como a frigidez e a impotência.

Sanjay Srivastava, um dos mais abalizados estudiosos nessa área, sustenta, com base em experiências por ele conduzidas, que as mulheres que sofrem de ansiedade na adolescência tendem a recuperar a autoconfiança entre os 30 e 40 anos.

Para nós, espíritas, não causam surpresa alguma tais ideias, porque a evolução ou o progresso constitui um dos princípios fundamentais do Espiritismo e, ao tratar da infância, é peremptória a afirmativa constante da questão 385 d´O Livro dos Espíritos, que adverte ser possível, por meio da educação, reformar o caráter e reprimir as más inclinações que a criança traz do passado, missão sagrada – acrescentam os imortais – que Deus confiou aos pais e da qual deverão prestar contas.

É nisso que residem nossas esperanças de que o homem velhoque existe em nós e, por conseguinte, o velho mundo em que vivemos serão, no futuro, bem diferentes e certamente muito melhores.

Fonte:http://espiritismo-seculoxxi.blogspot.com.br/

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