Posts Marcados Com: respeito

Foto Eduardo Rodrigues

Foto Eduardo Rodrigues

Anúncios
Categorias: Clic do dia! | Tags: , , | Deixe um comentário

A DOUTRINA ESPÍRITA TRATA DA HOMOSSEXUALIDADE?

Por Maria das Graças Cabral
 
 
A Doutrina Espírita trata da Homossexualidade? Esta foi a indagação feita por um amigo e a razão do desenvolvimento do presente artigo. Para alcançarmos a resposta do questionamento que foi lançado como tema, iniciarei fazendo uma breve digressão histórica da homossexualidade no tempo e no espaço. Isto porque, observa-se pelos relatos históricos, que desde os tempos mais remotos se dá notícia da prática homossexual, utilizada como ritual de transição em um determinado momento da vida do ente tribal.
 
Na Grécia antiga por exemplo, considerando que as mulheres não ocupavam nenhum papel relevante nesta sociedade, a não ser as cortesãs que se relacionavam de igual para igual com os homens, não tinham elas nenhuma base para educar os filhos do sexo masculino. Daí, quando a criança entrava na adolescência, ditava o costume, que a família do adolescente elegesse um homem mais velho, ao qual era delegada a missão de educá-lo. Em razão desta relação de um educador (Erastes) e um educando (Erômenos), é que se deu surgimento à pederastia, que acabou por se difundir pelas demais ilhas gregas.

Importante ressaltar, que a referida relação entre um jovem e um homem mais velho era abertamente aceita, o que não acontecia com as relações entre homens da mesma idade. Para os gregos, a postura passiva era própria das mulheres, jovens e escravos, pela sua condição inferior na escala social.

  
Já no Império Romano, a relação entre um romano e um jovem livre não era bem aceita, ainda que popular, sendo punida com multa. Contudo, o amor de um romano e um escravo não sofria nenhum tipo de restrição.
 
 Também existia em Roma, a repulsa com relação ao homem romano que adotava a condição de passivo numa relação homossexual, mantendo-se a mesma concepção dos gregos à respeito da passividade, por ser condição própria das mulheres, jovens e escravos. Entretanto tal desaprovação não era absoluta, pois no primeiro século, os historiadores dão notícias de matrimônios entre homens, já que o casamento na sociedade romana, era um contrato de caráter privado.
 
 Foi Teodósio I quem proclamou uma lei proibindo permanentemente todas as relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, tendo como punição a morte. Essa condenação permaneceria na legislação de Justiniano I que, passou a punir a homossexualidade com a fogueira e a castração, alegando ele que a prática homossexual não era um ato aceito por Deus.  
 
 Na Índia, que em razão dos deuses serem afetiva e sexualmente bissexuais, para os indianos, o sexo não era visto somente para procriação, mas para a obtenção de prazer e poder. De tal forma, a relação homossexual era aceita, já que a busca do prazer estava ligada ao misticismo. Entendiam os indianos, que através do orgasmo seria possível compreender os enigmas de seus deuses. 
 
 Na China, a homossexualidade era influenciada por seus imperadores, que tinham os seus “favoritos”, gerando uma grande disputa na corte, pois o favorito do imperador tinha riqueza e prestígio. O mesmo ocorria no Japão, que por seu turno, não tinha uma visão pecaminosa das relações homossexuais. 
 
 Foi com o surgimento do “cristianismo”, que passou a haver a condenação de toda e qualquer forma de atividade sexual estéril, ou seja, que não fosse com a finalidade de procriar, estando a homossexualidade por conseguinte, inserida neste contexto. 
 
 No Brasil Colonial e escravagista, semelhante ao período clássico, encontra-se esse tipo de comportamento, principalmente com relação a senhores/escravos. É fato, que sempre em que há submissão de uma categoria por outra através da força, esse tipo de abuso acontece. 
 
 Observa-se portanto, que as diferenças nos direitos relativos à homossexualidade, sempre estiveram presentes ao longo da história das civilizações humanas, persistindo até os tempos atuais. Isto porque, hodiernamente ainda existem países que criminalizam a homossexualidade com a pena de morte, tais como, a Arábia Saudita, a Mauritânia ou o Iêmen, e outros que já legalizaram o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, como Países Baixos, Espanha ou Canadá. 
 
 Já as principais organizações mundiais de saúde, incluindo muitas de psicologia, não mais consideram a homossexualidade uma doença, disturbio ou perversão. Desde 1973, a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria. Em 1975 a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento, deixando de considerar a homossexualidade como doença.
  
 No dia 17 de maio de 1990 a Assembléia-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação Internacional de Doenças (CID). Por fim, em 1991, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos  direitos humanos.
  
 E assim, ao longo da história da humanidade, os aspectos individuais da homossexualidade foram tolerados ou condenados, de acordo com as normas sexuais vigentes nas diversas culturas e épocas em que ocorreram. Ou seja, observa-se que a aceitação do comportamento homossexual nunca foi unanimidade em nenhuma sociedade, e em tempo algum.

Hodiernamente, observamos os homossexuais lutando mundo afora, na busca da aplicabilidade dos direitos humanos, pelo direito ao casamento civil e religioso, pelo direito à adoção de filhos. Isto porque, os conflitos e divergências continuam existindo no âmbito religioso, jurídico, e social.

 
  E a Doutrina Espírita? Trata objetivamente da homossexualidade, aprovando ou condenando tal prática? À esse respeito é importante ressaltar, que o Espiritismo não julga comportamentos nem escolhas. A Doutrina Espírita veio “revelar” ao Espírito humano, imortal e perfectível, através das Obras Básicas, os ensinamentos libertadores, que estudados e vivenciados, conduzirão a humanidade a melhores caminhos na senda da evolução.
 
 No tocante à questão de opção sexual, importante se faz nos reportarmos aos ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec indaga aos Espíritos da Codificação na questão 200, se os Espíritos têm sexo. Os Mestres Espirituais respondem: – “Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos.” Pode-se inferir pela resposta dada, que os Espíritos quando no plano espiritual, são atraídos apenas por afinidades e sentimentos, posto que, a atração sexual que leva à conjunção carnal é própria do corpo material com seu aparelho genésico.
 

Em seguida, na questão 201, é perguntado se o Espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher numa nova existência, e vice-versa. E a resposta é que “sim, pois são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres.” Constata-se diante das palavras dos Espíritos Superiores, que o Espírito não tem sexo.

 
Por fim, indaga Kardec na questão 202, se quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou de mulher. Respondem os Espírito Superiores que “isso pouco importa ao Espírito; depende das provas que ele tiver de sofrer.” Ou seja, a escolha do sexo condiz às possibilidades de aprendizado e evolução do Espírito reencarnante.
 
Face às indagações e respostas dadas pela Espiritualidade maior, Kardec arremata dizendo que “os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais, e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens.”
 
Pode-se concluir, diante dos esclarecimentos dados pelos Mestres Espirituais, que a questão do Espírito optar por reencarnar como homem ou mulher, tem um propósito definido no processo evolutivo do indivíduo.
Quando iniciei o presente texto fazendo uma breve narrativa histórica da homossexualidade através do tempo e do espaço, objetivava demonstrar que são os homens e mulheres, através dos tempos, que vão dando os “tons” da sociedade na qual escolheram viver. São os preconceitos, crenças, interesses; como também, os desequilíbrios comportamentais e emocionais, que geram os grandes conflitos e dores, que acabam por adoecer o organismo social.
 
É fato que a Doutrina Espírita não faz apologia, nem condena as opções sexuais dos indivíduos. Entretanto, estabelece parâmetros comportamentais equilibrados, tendo como paradigma a moral evangélica. Somos livres para escolher as “portas“ que iremos atravessar. Em contrapartida, somos também individualmente responsáveis, diante de Deus e de nós mesmos por estas escolhas.
 
 
Finalizando, vale reiterar que a Doutrina dos Espíritos através de sua mensagem libertadora e consoladora, vem nos colocar na condição de Espíritos emancipados e responsáveis pela construção de nosso estado de felicidade ou infelicidade, nesta vida e na outra. A responsabilidade do Espírito é pessoal. Portanto, cada um responderá pelos seus pensamentos, sentimentos e atos – e pelo que causou a si mesmo, e às outras criaturas, de bem ou de mal. O alicerce sobre o qual se ergue a Doutrina Espírita, são princípios esclarecedores e libertadores, que levam o Espírito humano à busca do auto conhecimento, para que daí, trabalhe árdua e conscientemente por sua evolução moral e intelectual.
 
 
 
Entendamos portanto, que a homossexualidade é uma questão de foro íntimo de cada Espírito. Por conseguinte, com base na moral Espírita, ninguém tem a autoridade nem o direito de violentar a privacidade e/ou a integridade emocional e/ou moral de seu semelhante. Somos desrespeitosos e não caridosos, quando, agredimos, julgamos, criticamos, ridicularizamos, condenamos, ou discriminamos alguém em razão de sua opção sexual. Vale lembrar, que ainda estamos muito longe de alcançar a maturidade espiritual, que nos permitirá compreender com propriedade e profundidade a complexidade da alma humana.
Pense…
Categorias: Espíritas | Tags: , , , , , | Deixe um comentário

A QUESTÃO RELIGIOSA NO ESPIRITISMO

 

 
Atendendo à solicitação do coordenador do Espirit Book, Henrique Ventura Regis, pretendo expor aqui, de modo sintético e amparado no pensamento de Allan Kardec, o que penso sobre a chamada questão religiosa no movimento espírita.

 

 

 

 

 

Afinal, o Espiritismo é ou não é religião? Tema complexo, apaixonante, tão antigo quanto o Espiritismo, tornou-se recorrente e motivo de discórdia, de cisão e de posturas sectárias. Tanto que, nos anos 1980, o movimento espírita se viu dividido entre duas posições antagônicas, a dos espíritas religiosos e a dos não-religiosos. Ruptura semelhante à que ocorreu entre os espíritas místicos e os espíritas científicos, no Brasil do século 19. Essa divisão ainda prossegue, sem que possamos vislumbrar algum tipo de consenso.

 

 

 

 

 

Todavia, ninguém melhor do que o fundador do Espiritismo para defini-lo. E ele o fez diversas vezes, em vários momentos de sua obra. Apesar da evidente vinculação doutrinária ao cristianismo, Allan Kardec rechaçou de modo veemente o suposto caráter religioso do Espiritismo e condenou o uso da palavra religião para classifica-lo, devido ao seu duplo sentido: de laço e de culto.

 

 

 

Quem primeiro levantou esse tema foi o Abade Chesnel, ao considerar que havia “uma nova religião em Paris”, que deveria ser combatida e reprimida. Através da Revista Espírita, Kardec rebateu a tese do Abade, também expondo-a de forma didática em O Que é o Espiritismo, no debate com o Padre.

 

 

 

 

 

Allan Kardec insistiu em definir o Espiritismo como uma ciência de observação, de consequências morais, como qualquer ciência ou forma de conhecimento. A seguir, iremos transcrever de suas obras uma série de pensamentos do Druida de Lyon, a fim de observarmos que ele não vacilou nessa questão e sempre procurou deixar claro, de modo bem didático, o que pensava a respeito do caráter e da natureza da doutrina espírita.

 

 

 

 

 

O Que é o Espiritismo
 

 

 

 

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos e de suas relações com o mundo corporal.” (p. 44)
 

 

“O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência e não se ocupa das questões dogmáticas. Essa ciência tem consequências morais, como todas as ciências filosóficas.” (p. 102)
 

 

“O seu verdadeiro caráter é, portanto, o de uma ciência e não o de uma religião.” (p. 103)
 

 

“O Espiritismo conta entre os seus partidários homens de todas as crenças, que nem por isso renunciam às suas convicções: católicos fervorosos, protestantes, judeus, muçulmanos, e até budistas e hindus.” (p. 103)
 

 

“O Espiritismo não era mais que simples doutrina filosófica; foi a própria Igreja que o proclamou como nova religião.” (p. 100)
 

 

“Não somos ateus, porém não implica isso que sejamos protestantes.” (p. 104)
 

 

Só “existem duas coisas no Espiritismo: a parte experimental das manifestações e a doutrina filosófica.” (p. 95)
 

 

“Sem ser em si mesmo uma religião, o Espiritismo está ligado essencialmente às idéias religiosas.” (p. 116)
 

 

 

 

A Gênese

 

 

 

“É, pois, rigorosamente exato dizer que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação.” (p. 20)
 

 

“O Espiritismo é uma revelação (…) na acepção científica da palavra.” (p. 19)
 

 

“O Livro dos Espíritos, a primeira obra que levou o Espiritismo a ser considerado de um ponto de vista filosófico, pela dedução das consequências morais dos fatos.” (p. 40 – Nota de rodapé)
 

 

“As religiões hão sido sempre instrumentos de dominação.” (p. 17)
 

 

 

 

O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples

 

 

 

“Do ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões.” (p. 27)
 

 

“Homens de todas as castas, de todas as seitas, de todas as cores, sois todos irmãos.” (p. 39)
 

 

 

 

Há dezenas de outras afirmações de Allan Kardec que poderiam ser aqui citadas, mas não seriam suficientes para fechar a questão. Há fatores antropológicos, sociológicos, psicológicos e históricos a serem contemplados. Estudos recentes no campo da antropologia social demonstram o caráter religioso do Espiritismo brasileiro. O Espiritismo é uma religião, uma forma de culto, foi assim que ele se desenvolveu historicamente. Não há como negar.

 

 

 

Pensadores espíritas de grande envergadura, como Carlos Imbassahy e Herculano Pires, admitiram o caráter religioso do Espiritismo, como uma doutrina de tríplice aspecto (ciência, filosofia e religião), idéia semelhante ao “triângulo de forças espirituais” do espírito Emmanuel.

 

 

 

Apoiado na conceituação do filósofo francês Henri Bergson, Herculano desenvolveu uma interessante tese da religião como fator natural, dinâmica, a chamada religião natural, em uma conceituação próxima à do iluminista francês Rousseau e do pedagogo suíço Pestalozzi, mestre de Rivail.

 

 

 

Por sua vez, pensadores espíritas outros como David Grossvater, Jon Aizpúrua, Jaci Regis e Krishnamurti de Carvalho Dias, apoiados no humanismo kardequiano e no laicismo espírita, conduziram seu pensamento rumo a uma concepção laica, não-religiosa do Espiritismo. O segmento não-religioso é minoria, mas bastante expressivo, dinâmico, aberto ao debate e às novas idéias.

 

 

 

Na dúvida, ficamos com Allan Kardec. Como vimos, ele rechaçou a idéia de uma religião espírita. Rejeitou a palavra religião para definir o Espiritismo. Não há como negar esse fato.

 

 

 

Afinal, quem estará com a razão? Difícil dizer. O tempo dirá…

 

Categorias: Espíritas | Tags: , , , , , | Deixe um comentário

Versos que Transformam a Mente I

Vou agora ler e explicar brevemente um dos mais importantes textos sobre a transformação da mente, Lojong Tsigyema (Oito Versos que Transformam a Mente). Este texto foi composto por Geshe Langri Tangba, um bodisatva bastante incomum. Eu próprio o leio todos os dias, tendo recebido a transmissão do comentário de Kyabje Trijang Rinpoche.
 
1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.
 
Aqui, estamos pedindo: “Possa eu ser capaz de enxergar os seres como uma jóia preciosa, já que são o objeto por conta do qual poderei alcançar a onisciência; portanto, possa eu ser capaz de prezá-los e estimá-los.”
 
2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.
 
“Com todo respeito considerá-las supremas” significa não as ver como um objeto de pena, o qual olhamos de cima, mas, sim, as ver como um objeto elevado. Tomemos, por exemplo, os insetos: eles são inferiores a nós porque desconhecem as coisas certas a serem adotadas ou descartadas, ao passo que nós conhecemos essas coisas, já que percebemos a natureza destrutiva das emoções negativas. Embora seja essa a situação, podemos também enxergar os fatos de um outro ponto de vista. Apesar de termos consciência da natureza destrutiva das emoções negativas, deixamo-nos ficar sob a influência delas e, nesse sentido, somos inferiores aos insetos.
 
3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.
 
Quando nos propomos uma prática desse tipo, a única coisa que constitui obstáculo são as negatividades presentes no nosso fluxo mental; já espíritos e outros que tais não representam obstáculo algum. Assim, não devemos ter uma atitude de preguiça e passividade diante do inimigo interno; antes, devemos ser alertas e ativos, contrapondo-nos às negatividades de imediato.
 
4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.
 
Essas linhas enfatizam a transformação dos nossos pensamentos em relação aos seres sencientes que carregam fortes negatividades. De modo geral, é mais difícil termos compaixão por pessoas afligidas pelo sofrimento e coisas assim, quando sua natureza e personalidade são muito perversas. Na verdade, essas pessoas deveriam ser vistas como objeto supremo da nossa compaixão. Nossa atitude, quando nos deparamos com gente assim, deveria ser a de quem encontrou um tesouro.
 
5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.
 
Falando de modo geral, sempre que os outros, injustificadamente, fazem algo de errado em relação à nossa pessoa, é lícito retaliar, dentro de uma ótica mundana. Porém, o praticante das técnicas da transformação da mente devem sempre oferecer a vitória aos outros.
 
6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.
 
Normalmente, esperamos que os seres sencientes a quem muito auxiliamos retribuam a nossa bondade; é essa a nossa expectativa. Ao contrário, porém, deveríamos pensar: “Se essa pessoa me fere em vez de retribuir a minha bondade, possa eu não retaliar mas, sim, refletir sobre a bondade dela e ser capaz de vê-la como um guia especial.”
 
7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.
 
O verso diz: “Em suma, possa eu ser capaz de oferecer todas as qualidades boas que possuo a todos os seres sencientes,” — essa é a prática da generosidade — e ainda: “Possa eu ser capaz, em sigilo, de tomar sobre mim todos os males e sofrimentos deles, nesta vida e em vidas futuras.” Essas palavras estão ligadas ao processo da inspiração e expiração.
 
Até aqui, os versos trataram da prática no nível da bodhicitta convencional. As técnicas para cultivo da bodhicitta convencional não devem ser influenciadas por atitudes como: “Se eu fizer a prática do dar e receber, terei melhor saúde, e coisas assim”, pois elas denotam a influência de considerações mundanas. Nossa atitude não deve ser: “Se eu fizer uma prática assim, as pessoas vão me respeitar e me considerar um bom praticante.” Em suma, nossa prática destas técnicas não deve ser influenciada por nenhuma motivação mundana.
 
8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.
 
Essas linhas falam da prática da bodhicitta última. Quando falamos dos antídotos contra as oito atitudes mundanas, existem muitos níveis. O verdadeiro antídoto capaz de suplantar a influência das atitudes mundanas é a compreensão de que os fenômenos são desprovidos de natureza intrínseca. Os fenômenos, todos eles, não possuem existência própria — eles são como ilusões. Embora apareçam aos nossos olhos como dotados de existência verdadeira, não possuem nenhuma realidade. “Ao compreender sua natureza relativa, possa eu ficar livre das cadeias do apego.”
 
Deveríamos ler Lojong Tsigyema todos os dias e, assim, incrementarmos nossa prática do ideal do bodisatva.

(Extraído de The Union Of Bliss And Emptiness.)

Fonte:http://www.sabedoriaoculta.com

Categorias: Espíritas | Tags: , | Deixe um comentário

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.